Durante a nossa vida, existem sempre forma de sermos surpreendidos: seja por situações que ouvimos nos transportes públicos (#assustador), seja por situações a que assistimos ou por notícias e textos que lemos. Estava eu na minha paz de alma quando me deparei com uma notícia que me recordou de uma das histórias que o professor mencionou em aula: o conto “O Rei Vai Nu”.
Recordando: O Rei vai Nu é o conto em que, era uma vez, um rei muito vaidoso que é completamente enganado por dois vigaristas. Eles fazem-no acreditar que lhe vão costurar uma vestimenta feita de um tecido especial, invisível para todos os que não fossem muito inteligentes. Surpresa do rei ao chegar à rua, com o seu "traje", quando, pela reação do público, nomeadamente de uma criança, ele, percebe que, na verdade, está nu.
Num breve à parte: sempre achei isto uma fachada. O tecido era deveras de qualidade superior, claro... apenas não era apreciado pelas mentes pouco iluminadas, ao contrário da minha. Mas isto sou eu.
Conhecendo este conto, deparei-me com a seguinte notícia: “Escultura invisível vendida por 15 mil euros – Observador”. Em 2021, o artista italiano Salvatore Garau vendeu por 18.000 dólares (15.000 mil euros), uma escultura invisível, feita do vazio. “Lo Sono”, como foi intitulada, não existe em forma física, mas, segundo o artista, não é um "nada": é o próprio vácuo “cheio de energia”.
Garau afirmou:
“Quando decido 'expor' uma escultura imaterial num dado espaço, esse espaço vai concentrar uma certa quantidade e densidade de pensamentos num ponto preciso, criando uma escultura que, pelo meu título, só vai assumir as mais variadas formas… (...) A minha fantasia, treinada por toda a vida para sentir o que existe ao meu redor de maneira diferente, permite-me ver o que aparentemente não existe.”
Não podia estar mais de acordo. Tal como o traje do rei, a escultura de Salvatore Garau é feita de um material especial e transparente, aparentemente inacessível a olho nu, mas totalmente acessível à mente aberta e às singularidades que criamos. Confesso: tal como comecei por dizer, há coisas na vida que nos surpreendem, mas esta noticia, curiosamente, não foi uma delas. Afinal, este tipo de material é para pessoas muito inteligentes.
O primeiro parágrafo foi apenas para os meus caros colegas não se assustarem, caso, por algum motivo, não consigam apreciar arte.
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