Avançar para o conteúdo principal

O exílio no CAN

Dizem que a marginalidade é um lugar de resistência, eu diria antes que é um lugar onde o autocarro não chega a horas. E se há alguém que entende o conceito de marginalização na pele é uma estudante de ciência política e relações internacionais, como eu, que vive a rotina cansativa de chegar ao CAN. O recanto esquecido da faculdade onde os cursos ficam segregados uns dos outros e onde o tempo parece correr mais devagar.

Confesso que, este ano, quando fomos integrados no grande ecossistema académico de Berna, eu acreditei. Acreditei no projeto europeu, acreditei na cooperação internacional, acreditei até que talvez a faculdade estivesse a considerar que os estudantes de CPRI merecem existir no mesmo continente académico que os restantes. No entanto, agora anunciaram o nosso retorno ao CAN, como quem anuncia a deportação de um povo inteiro. Sem plebiscito, sem negociação diplomática, sem sequer uma tentativa de mascarar o exílio em linguagem burocrática.

E a viagem que EU tenho de fazer? Uma hora e quarenta minutos de transportes, tempo suficiente para questionar se isto já conta como Erasmus rural, uma vez que venho do meu país chamado Mafra.

No fundo, ser estudante de CPRI é isto, passar a vida a analisar sistemas políticos complexos, enquanto tentamos sobreviver ao mais complexo de todos, a logística da própria faculdade.


Sara Martins

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sumários

Aula 1 (22/9)  1. Apresentação do programa e métodos de trabalho e avaliação .  2. Algumas lições de vida grátis a) limpa o que sujaste b) caça o dragão logo pela manhã c) "A inspiração existe mas apanha-me sempre a trabalhar" (Picasso) d) ser/estar: saiba as diferenças  3. Shrek. "Sei que muitos de vós ides perecer nesta gesta, mas esse é um sacrifício que eu estou disposto a fazer." 4. Errar e errância. Os franceses chamam-lhe flâner. 6. Abertura de Valerian . Aqui . Aula 2 (24/9) In memoriam Farrusca 0. Entre caos e cosmos 0.1. Escritores de BD  0.2. Diálogo de opostos 0.3. Destruir quase sempre é mais fácil  1. O que é um cânone? 1.1. Cânones há muitos, seu malandro 1.2. livros favoritos dos alunos presentes 1.3. Sempre circunstancial  1.3.1. Saramago censurado por Sousa Lara 1.3.2. Livros proibidos num tempo/espaço são aplaudidos noutro 2. Marginal – um conceito equívoco  2.1. Bukowski  2.2. Luiz Pacheco  Aula 3 (29/9) 1. A ambiguidade d...

Programa

  Este é o blogue da disciplina de opção livre de Literaturas Marginais. Não é necessário frequentar um curso de literatura, embora ajude, porque esta é uma cadeira de literatura. Docente responsável:  rz@fcsh.unl.pt Enviem uma mensagem a fim de serem convidados para co-autores deste blogue. E coloquem sempre como  assunto : Literaturas Marginais ou Lit Marg. Avaliação:  participação e assiduidade (30-50%), frequência (50-70%) . Apresentação em aula: facultativa.  Com 9 vai a exame. Com 12 dispensa.  Frequência : 10 dezembro Exame/melhoria:  20 janeiro 14h O blogue  conta com os vossos contributos. Ideias soltas, reflexões, notícias, respostas a um ponto do programa. Nele espero que todos possamos partilhar textos e micro-ensaios, comentários avulsos que tenham a ver com o âmbito da cadeira.  A participação  influencia a nota, obviamente.  E qual o âmbito da cadeira?  Boa pergunta . Em Literaturas Marginais são apresentados aos...

Um pincel que é nosso!!!