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O exílio no CAN

Dizem que a marginalidade é um lugar de resistência, eu diria antes que é um lugar onde o autocarro não chega a horas. E se há alguém que entende o conceito de marginalização na pele é uma estudante de ciência política e relações internacionais, como eu, que vive a rotina cansativa de chegar ao CAN. O recanto esquecido da faculdade onde os cursos ficam segregados uns dos outros e onde o tempo parece correr mais devagar.

Confesso que, este ano, quando fomos integrados no grande ecossistema académico de Berna, eu acreditei. Acreditei no projeto europeu, acreditei na cooperação internacional, acreditei até que talvez a faculdade estivesse a considerar que os estudantes de CPRI merecem existir no mesmo continente académico que os restantes. No entanto, agora anunciaram o nosso retorno ao CAN, como quem anuncia a deportação de um povo inteiro. Sem plebiscito, sem negociação diplomática, sem sequer uma tentativa de mascarar o exílio em linguagem burocrática.

E a viagem que EU tenho de fazer? Uma hora e quarenta minutos de transportes, tempo suficiente para questionar se isto já conta como Erasmus rural, uma vez que venho do meu país chamado Mafra.

No fundo, ser estudante de CPRI é isto, passar a vida a analisar sistemas políticos complexos, enquanto tentamos sobreviver ao mais complexo de todos, a logística da própria faculdade.


Sara Martins

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